Rumo a Uyuni – O primeiro passo?

PARTE 1

Como se fosse o primeiro dia.

Essa viagem para Uyuni já havia começado há muito tempo em minha mente. Tudo começou com uma conversa entre amigos durante uma pizza na volta da travessia da Serra Fina, divisa dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, no ano passado.

Ainda eufóricos pelo feito, surgiu a pergunta: “Qual será o próximo desafio?”. Então, lembrei de uma amiga que havia me falado de Uyuni e ali fechamos o destino.

Depois, veio a fase de planejamento. Cada passo, cada foto, cada refeição… Tudo em uma planilha. E esse dia foi só o início de uma conversa com amigos se tornando realidade.

O que é UYUNI?

Uyuni (da lingua Aymara, significa aquele que tem uma caneta) é uma pequena cidade do Departamento de Potosi na Bolívia com pouco mais de 10 mil habitantes a beira do maior lago de sal do mundo a 3700 metros de altitude. Aqui foi a nossa base para chegar a fantásticas paisagens inimagináveis de serem vistas no Brasil.

Você deve estar se perguntando o porquê escolhemos esse desértico destino longe, inóspito, frio, seco, alto, monótono e com vários outros adjetivos.

Pois bem, escolhemos os outros adjetivos – lindo, colorido, abundante e desconhecido.

Estávamos dispostos a viver cada momento, cada paisagem, cada refeição e cada sensação que aquela planície nos proporcionaria. E não só a planície de sal, mas os desertos, lagos, cidades, caminhos e pessoas. Por isso decidimos fazer todo o caminho dentro da Bolívia por terra, dormindo em trens, conhecendo um pouco do cotidiano onde parávamos e que vocês lerão e verão fotos nas próximas semanas.

 Uyuni, aí vamos nós!

Depois de dois dias arrumando a mochila para viagem e meses planejando, ainda tinha dúvidas se havia colocado tudo que precisava nela. Se faltasse algo, que não fosse o papel higiênico.

O dia começou bem cedo no aeroporto de Brasília onde embarquei em um avião da LATAM rumo ao aeroporto de Congonhas em São Paulo para encontrar com meu velho companheiro de viagem a locais inóspitos (programa de índio), Alexandre. Mas não antes de ter a surpresa de encontrar outro amigo no aeroporto que também iria para São Paulo, para levar um cachorro para o sogro. Ultimamente o aeroporto tem sido realmente um ponto de encontro para mim.

Bem, por enquanto, tudo normal, check-in, embarque, atenção senhores passageiros, em caso de despressurização usem essa máscara fashion, acessem nosso conteúdo interativo no seu smartphone ou tablet, desde que não seja um Galaxy Note 7 senão vai explodir, tripulação preparar para decolagem e um grito. Sim, um grito ao meu lado. Minha vizinha de poltrona, a Taís, uma piauiense de Terezina que estava indo para São Paulo, onde estuda e que me contou que morre de medo de viajar de avião. A cada curva, cada movimento e cada barulho ela parava o que estava fazendo para se segurar agarrando até a poltrona da frente enquanto sua feição de pânico tomava o ambiente. Conversamos durante todo o voo para que ela se acalmasse e lhe mostrei que os barulhos são normais e que não havia o que temer durante o voo se não fosse a sua hora. Como cristã que é, creio que tenha compreendido.

Chegando no porta aviões de Congonhas ancorado no meio do mar de prédios de concreto onde cardumes de carros nadam continuamente em suas correntes, fizemos um pouso tranquilo, desembarquei de um avião para pegar outro e encontrar com o Alexandre no embarque. A partir daquele momento a viagem não era mais uma busca solitária por respostas a perguntas que ainda não foram feitas, mas um flashback de uma uma época em que jovens saiam sem rumo no mundo para conhecer pessoas e lugares e ter novas experiências para guardar na alma.

160924jj5766-1600pxNovamente era hora do embarque, dessa vez, para Campo Grande onde chegamos alguns minutos antes do esperado e por isso conseguimos pegar um ônibus na Rodoviária para Ladário as 12:30, o próximo seria só as 16:00. Mas não posso deixar de mencionar que poderíamos ter perdido o embarque dentro da rodoviária por causa de duas senhoras que estavam a nossa frente e que levaram mais de dez minutos para comprar suas passagens.

Corremos para embarcar no Andorinha (Empresa de ônibus que faz a linha), onde comemos nosso almoço, o sanduíche gourmet do Alê.

No meio do caminho, uma parada no Zero Hora em Miranda e continuamos a viagem.

Já dentro do Pantanal Sul Mato-grossense, o espetáculo do reflexo do crepúsculo nos alagados que cercavam nosso caminho, a BR-262.

Depois de oito horas de viagem surgiu a primeira pergunta. Eu aguentaria esses doze dias com há vinte anos? Acho que essa era a minha única preocupação que brotava no meio de meu entusiasmo de escrever mais essas páginas em minha vida. É nesse momento me restou a contemplação do sol vermelho que tombava atrás de nuvens que sustentavam um céu laranja. Onde está a foto? Apenas na minha mente. Dessa vez me dei ao luxo de simplesmente contemplar.

Nessa primeira tarde, o nosso caminho estava nublado, o que deixou nossas paisagens opacas e sem vividez. Acho que foi por isso que não vimos nenhum jacaré.

Primeira parada, Ladário.

160924jj6645-1600pxChegamos em Ladário-MS, no meio do Pantanal, sendo recebidos por um grande abraço de minha tia e fomos direto para a Procissão de Nossa Senhora das Mercês para depois, finalmente comer o famoso arroz carreteiro da tia Zildelene e do tio Nivaldo e rever parte da família em minha terra natal -Eu já me dava por satisfeito apenas por esse dia, mas vamos continuar.

Nesse primeiro dia começamos a nos desligar da vida agitada e fria da cidade grande, eu de Brasília e ele de São Paulo. 

Hora de dormir, pois o próximo dia duraria mais de 24 horas.

Aguarde a próxima semana para saber mais espere o post da próxima semana com dicas importantes da viagem e de fotografia.

Parte 2

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Um comentário sobre “Rumo a Uyuni – O primeiro passo?

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